Pequeno tour pelo francês do Marrocos — bezef, wakha, inch'Allah
« Au Maroc, le français ne remplace pas la darija — il l'épouse. Et ensemble, ils font des enfants magnifiques. »
Um francês mestiço
No Marrocos, o árabe (oficial) e o amazigh (berbere) são as línguas maternas, mas o francês é falado no dia a dia por mais de 30% da população — na escola, no trabalho, na televisão, nas ruas de Casablanca e Rabat. Resultado: um francês impregnado de darija (o árabe marroquino), recheado de palavras emprestadas, saboroso e rápido como um chá de menta.
O vocabulário para guardar
| Marrocos | França | Tradução PT |
|---|---|---|
| bezef (بزاف) | beaucoup, trop | muito, demais |
| wakha (واخا) | d'accord, ok | tá bom, beleza |
| inch'Allah (إن شاء الله) | si Dieu le veut | se Deus quiser |
| hamdoullah (الحمد لله) | grâce à Dieu, Dieu merci | graças a Deus |
| un souk (سوق) | marché traditionnel | um mercado tradicional |
| yalla (يلا) | allez, on y va ! | vamos, bora! |
| meskine (مسكين) | pauvre, le pauvre | coitado, pobrezinho |
| safi (صافي) | ça suffit, terminé | chega, tá bom |
Pequena curiosidade
A palavra inch'Allah — « si Dieu le veut » — é a palavra mais usada no francês cotidiano do Marrocos. Ela é colocada em tudo: « On se voit demain, inch'Allah », « Il va pleuvoir, inch'Allah ». Ela expressa a humildade diante do imprevisível: tudo depende de uma vontade superior. Cuidado com a armadilha para os brasileiros: no Marrocos, « inch'Allah » também pode significar um « não » educado — quando não se quer decepcionar diretamente, deixa-se a decisão para Deus. É preciso decodificar pelo tom.
Outro tesouro: meskine. Essa palavra do árabe clássico (miskîn, « pobre ») atravessou toda a francofonia — é ouvida no Magrebe, na França, na Bélgica, nas periferias, na boca dos rappers. Talvez seja a palavra árabe mais adotada pelo francês mundial. Uma prova de que as línguas, como as pessoas, adoram viajar.
Por que isso importa
O Marrocos é o país de Tahar Ben Jelloun (Prêmio Goncourt 1987), de Leïla Slimani (Goncourt 2016), de Fatema Mernissi, de Casablanca e de seu cinema, da culinária mais sutil do mundo árabe. O francês marroquino é uma ponte entre a África, a Europa e o mundo árabe — e sua riqueza só cresce. Ouvir um jovem de Rabat falando é ouvir três continentes ao mesmo tempo.
Quer ir mais fundo? Leia « La Nuit sacrée », de Ben Jelloun, ou escute uma música do Saad Lamjarred — você vai ouvir o darija e o francês se respondendo sem parar.

