Se tem um assunto que nunca falta numa conversa em francês, é o clima. Os franceses comentam o tempo na fila do pão, no elevador, esperando o ônibus — é quase um cumprimento automático, tipo o nosso "tudo bem?". A diferença é que, em francês, existe uma estrutura gramatical específica pra isso, e ela não segue a lógica do português.
Aqui você vai aprender a fazer a pergunta certa, responder com naturalidade e evitar as duas confusões mais comuns de quem começa: usar "c'est" no lugar de "il fait", e traduzir "está chovendo" palavra por palavra.
TL;DR (PT-BR): Em francês, o clima se descreve com estruturas impessoais: "il fait" + adjetivo (il fait beau, il fait froid), "il y a" + substantivo (il y a du vent, il y a du soleil), e verbos próprios pra chuva e neve (il pleut, il neige). Nunca se diz "c'est froid" pra falar do tempo — é sempre "il fait froid".>
TL;DR (FR) : En français, on décrit la météo avec des structures impersonnelles : « il fait » + adjectif (il fait beau, il fait froid), « il y a » + nom (il y a du vent, il y a du soleil), et des verbes propres à la pluie et à la neige (il pleut, il neige). On ne dit jamais « c'est froid » pour parler du temps — toujours « il fait froid ».
A pergunta: Quel temps fait-il?
Antes de responder, precisa saber perguntar. Em francês, a pergunta clássica é:
Quel temps fait-il ? (Que tempo faz?)
Repare que "temps" aqui não tem nada a ver com hora. Essa é a primeira pegadinha do vocabulário francês: "temps" é uma palavra ambígua, que pode significar "clima" ou "tempo cronológico", dependendo do contexto. Se você perguntar "quel temps fait-il?", está claramente falando de clima. Já "quelle heure est-il?" é a pergunta pra saber as horas — outra estrutura, outro vocabulário. Se essa confusão te persegue, vale revisar [ARTICLE #36] sobre como perguntar as horas em francês.
A resposta pra "quel temps fait-il?" quase sempre começa com il fait ou il y a. Nunca com "c'est". Essa construção impessoal com "il" é obrigatória — o verbo por trás dela é o mesmo "faire" que você já viu em outros contextos (idade, atividades). Se quiser entender a lógica completa do verbo, [ARTICLE #34] explica o "faire" aplicado à meteorologia.
Il fait + adjetivo: a estrutura principal
A forma mais comum de descrever o clima em francês é il fait seguido de um adjetivo. É uma estrutura fixa, sem gênero, sem concordância — "il fait" nunca muda.
| Francês | Português |
|---|---|
| Il fait beau | Faz sol / o tempo está bonito |
| Il fait mauvais | O tempo está ruim |
| Il fait chaud | Está calor |
| Il fait froid | Está frio |
| Il fait doux | Está ameno |
| Il fait frais | Está fresquinho |
| Il fait humide | Está úmido |
| Il fait gris | Está nublado (cinza) |
Aqui está o erro mais comum de brasileiros: tentar traduzir "está frio" literalmente com o verbo "être" (ser/estar), porque em português usamos "estar". Em francês, nunca se diz "c'est froid" pra falar do clima. A estrutura é sempre impessoal: il fait froid.
Se "c'est" versus "il fait" ainda te confunde, faz sentido — a diferença entre "être" e essas construções impessoais é sutil. Vale revisitar [ARTICLE #2] sobre o verbo être pra entender onde ele se aplica (e onde não se aplica).
Il y a + substantivo: o outro lado da moeda
Quando o elemento do clima é um substantivo (vento, sol, nuvens, neblina), a estrutura muda. Em vez de "il fait", usa-se il y a (há, tem).
| Francês | Português |
|---|---|
| Il y a du soleil | Tem sol |
| Il y a du vent | Tem vento |
| Il y a des nuages | Tem nuvens |
| Il y a du brouillard | Tem neblina |
| Il y a de l'orage | Tem tempestade |
| Il y a des éclairs | Tem relâmpagos |
Repare no artigo partitivo depois de "il y a": du (masculino), de l' (antes de vogal), des (plural). Essa é a mesma lógica dos artigos partitivos usados pra falar de comida e bebida — se você já estudou isso em [ARTICLE #11], o padrão vai parecer familiar.
Aqui mora a segunda armadilha clássica: "il fait du soleil" está errado. É uma mistura das duas estruturas que não existe em francês. A regra é simples de memorizar, mesmo que pareça arbitrária no começo:
- IL FAIT + adjetivo → il fait beau, il fait froid
- IL Y A + substantivo → il y a du soleil, il y a du vent
Uma forma de fixar: adjetivo pede "fait", substantivo pede "y a". Se a palavra que vem depois é uma coisa (um substantivo), é "il y a". Se é uma característica (um adjetivo), é "il fait".
Chuva e neve: verbos à parte
Chuva e neve não seguem nem "il fait" nem "il y a" — elas têm verbos próprios, que só existem na terceira pessoa do singular com "il":
- Il pleut (chove / está chovendo) — verbo pleuvoir
- Il neige (neva / está nevando) — verbo neiger
Esses verbos são chamados de "impessoais" porque só se conjugam com "il", sem sujeito real por trás — ninguém "chove", o fenômeno simplesmente acontece. É por isso que não existe "je pleus" ou "tu neiges".
Aqui aparece uma pegadinha que quase todo brasileiro comete pelo menos uma vez: traduzir "está chovendo" ao pé da letra, montando "il est en train de pleuvoir". Gramaticalmente, essa frase existe e está correta — o "en train de" é a estrutura de presente contínuo em francês, equivalente ao nosso "estar + gerúndio". Mas na prática, ninguém fala assim pra descrever chuva. Os franceses dizem simplesmente:
Il pleut.
Ponto. Sem "en train de", sem complicação. Essa tendência de simplificar — usar o presente simples onde o português usaria um gerúndio — é um padrão que se repete em várias situações do francês do dia a dia. Se você quer entender melhor quando usar (e quando evitar) o presente contínuo, [ARTICLE #37] trata exatamente desse ponto.
Também vale lembrar: "pluie" é substantivo (a chuva), "pleut" é verbo (chove). Não existe "il pluie" — essa mistura é um erro comum de quem ainda não decorou qual palavra é qual classe gramatical.
Temperatura em graus
Pra falar da temperatura exata, a estrutura reaproveita o "il fait":
Il fait 25 degrés. (Faz 25 graus.)
Il fait moins 3 degrés. (Faz menos 3 graus / está três graus negativos.)
Simples assim — "il fait" mais o número mais "degrés". Se os números em francês ainda não estão automáticos pra você, principalmente as dezenas mais complicadas tipo 70, 80 e 90, vale reforçar com [ARTICLE #8], que cobre os números de 0 a 100 com todas as irregularidades.
As estações e suas preposições
Falar do clima também envolve falar das estações do ano — e aqui tem uma armadilha de preposição que confunde muita gente:
| Estação | Com preposição |
|---|---|
| le printemps (primavera) | au printemps |
| l'été (verão) | en été |
| l'automne (outono) | en automne |
| l'hiver (inverno) | en hiver |
Note que só a primavera usa "au" — todas as outras três estações usam "en". Não existe uma regra lógica clara pra essa exceção; é uma daquelas coisas que se aprende decorando, porque "printemps" é a única que começa com consoante entre as quatro (as outras começam com vogal, e "en" soa melhor antes de vogal — mas isso é só uma pista de memorização, não uma regra oficial).
Como o clima muda junto com o calendário, faz sentido revisar também os meses do ano — [ARTICLE #17] mostra como cada estação se conecta aos meses correspondentes na França, que não bate exatamente com o hemisfério sul.
Praticando: pequenos diálogos
Pra fixar tudo isso junto, veja como essas estruturas aparecem numa conversa real:
— Quel temps fait-il aujourd'hui ?
— Il fait beau, il y a du soleil, mais il fait un peu frais.
(Que tempo faz hoje? — Está bonito, tem sol, mas está um pouco fresco.)
— Il pleut ?
— Non, il ne pleut pas, mais il y a des nuages.
(Está chovendo? — Não, não está chovendo, mas tem nuvens.)
Se antes de qualquer conversa você ainda hesita na hora de cumprimentar em francês, vale revisar [ARTICLE #26] — falar do tempo geralmente vem logo depois do "bonjour".
Conclusão
Falar do clima em francês parece um detalhe pequeno, mas é uma das situações mais recorrentes do idioma — e dominar essas 20 expressões te deixa pronto pra qualquer conversa cotidiana, seja puxando assunto na fila do pão ou simplesmente entendendo a previsão do tempo. O segredo é lembrar da divisão: il fait + adjetivo, il y a + substantivo, e os verbos próprios pra chuva e neve. Erre algumas vezes, corrija, siga em frente — é assim que a fluência se constrói.
Se quer praticar essas estruturas em conversas reais, com correção na hora, dá uma olhada nas aulas de francês.

