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HistoireNível B2
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A tomada da Bastilha: a fabricação de um símbolo (B1)

Em 14 de julho de 1789, uma multidão enfurecida ataca a Bastilha, velha fortaleza real de Paris. Mas por que essa data virou a festa nacional francesa?

Assinado por·10 de julho de 2026·~5 min de leitura

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La prise de la Bastille : la fabrique d'un symbole (B1)
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A tomada da Bastilha: a fabricação de um símbolo (B1)

Nível B1 · Em 14 de julho de 1789, uma multidão enfurecida ataca a Bastilha, velha fortaleza real de Paris. Mas por que essa data virou a festa nacional francesa? Entre mito e realidade, eis a história de um símbolo.

A tomada da Bastilha: a fabricação de um símbolo

Documento disparador

Bia: Vincent, por que os franceses comemoram o 14 de julho? É a Revolução, não é?

Vincent: Sim e não. Oficialmente, celebra-se a Festa da Federação de 1790, não a tomada da Bastilha de 1789. Mas no imaginário coletivo, é mesmo esse dia de revolta que conta.

Bia: Espera... então a festa nacional não comemora de verdade a tomada da Bastilha?

Vincent: Exatamente. É toda a complexidade de um símbolo: ele nem sempre corresponde ao que a gente acredita.

Vamos voltar a esse dia 14 de julho de 1789, entre violência histórica e construção de um mito.


O contexto: um reino à beira da explosão

Na primavera de 1789, a França atravessa uma crise terrível. O rei Luís XVI convocou os Estados Gerais (uma assembleia de representantes) para resolver a crise financeira do reino. Mas os deputados do terceiro estado (o povo) se recusam a obedecer. Em 20 de junho, eles fazem o Serment du Jeu de paume: prometem não se separar antes de escrever uma Constituição.

O rei hesita. Recua, depois se enrijece. Em 11 de julho, demite Jacques Necker, seu ministro das Finanças muito popular. Em Paris, é pânico geral. Os parisienses acham que o rei vai dissolver a Assembleia à força. Tropas reais acampam ao redor da capital.

Na manhã de 14 de julho, a tensão está no auge.


O dia 14 de julho: minuto a minuto

A manhã: a corrida por armas

Desde o amanhecer, milhares de parisienses procuram armas. Eles vão até os Invalides, um complexo militar. Em poucas horas, tomam 32 mil fuzis e alguns canhões. Mas falta pólvora.

Sabe-se que há pólvora na Bastilha, aquela velha fortaleza medieval que serve de prisão de Estado. Ela é defendida por uma centena de homens, comandados pelo governador Bernard-René de Launay.

A tarde: o assalto à Bastilha

Por volta das 13h30, uma multidão armada chega diante da Bastilha. Começam as negociações. De Launay hesita: deve abrir os portões? Deve atirar?

Por volta das 15h, a multidão corta as correntes da primeira ponte levadiça. A guarnição atira. Há mortos. A batalha começa.

Por volta das 17h, soldados franceses desertam e se juntam aos insurgentes com canhões. De Launay entende que não pode mais resistir. Capitula.

Erro fatal: a multidão invade a fortaleza. De Launay é capturado, espancado, arrastado pelas ruas. É morto a facadas e sabradas. Um cozinheiro corta sua cabeça, que é fincada na ponta de uma lança. O cortejo macabro (= fúnebre, horrível) atravessa Paris.

Os sete prisioneiros: uma decepção

Esperava-se libertar centenas de vítimas do arbítrio real. Encontram-se... sete prisioneiros:

  • Quatro falsificadores (fabricavam documentos falsos)
  • Dois loucos internados a pedido da própria família
  • Um nobre libertino (tinha comportamento escandaloso)

Nenhum herói. Nenhum mártir. Só gente comum, ou até constrangedora.


A fabricação do mito

Luís XVI escreve "nada" no seu diário

Na noite de 14 de julho, o rei Luís XVI escreve em seu diário íntimo. Na data de 14 de julho de 1789, escreve uma única palavra: « Rien » (nada).

Por quê? Porque ele fala de caça. Naquele dia, não caçou. Para ele, em Versalhes, nada de importante aconteceu.

Esse detalhe virou lendário: simboliza a cegueira do poder. O rei não entende que seu mundo está desmoronando.

Chateaubriand vê a cabeça passar

O escritor François-René de Chateaubriand, então com 21 anos, passeia pela rue Saint-Honoré. Cruza com a multidão que carrega a cabeça de De Launay na ponta de uma lança.

Anos mais tarde, em suas Mémoires d'outre-tombe, ele conta essa cena. Descreve o horror, a alegria selvagem, a virada para a violência. Seu testemunho congelou esse instante na literatura francesa.


Por que o 14 de julho é a festa nacional?

1790: a Festa da Federação

Em 14 de julho de 1790, exatamente um ano após a tomada da Bastilha, uma cerimônia imensa é organizada no Champ-de-Mars, em Paris. É chamada de Festa da Federação.

Delegados de toda a França juram fidelidade à Constituição. O próprio rei Luís XVI faz o juramento. É um momento de unidade nacional, de reconciliação. A Revolução parece pacificada.

1880: a oficialização

Em 1880, a Terceira República busca uma festa nacional para unir os franceses. Alguns deputados querem celebrar o 14 de julho de 1789 (a tomada da Bastilha). Outros acham isso violento demais.

O compromisso: celebra-se "o 14 de julho", sem especificar o ano. Oficialmente, é a Festa da Federação de 1790 (símbolo de paz). Oficiosamente, todo mundo pensa na tomada da Bastilha de 1789 (símbolo de revolta).

Um símbolo elástico

Cada época leu o 14 de julho de um jeito diferente:

  • Os republicanos veem nele o triunfo do povo contra a tirania.
  • Os conservadores veem uma explosão de violência descontrolada.
  • Os franceses de hoje veem principalmente... um feriado, um desfile militar e fogos de artifício.

Essa é a força de um símbolo: é vago o suficiente para que cada um projete nele seus próprios valores.


Cronologia do 14 de julho de 1789

HorárioEvento
ManhãMultidão nos Invalides: tomada de 32 mil fuzis
13h30Início do cerco à Bastilha
15hPrimeira ponte levadiça forçada, primeiros tiros
17hCapitulação do governador de Launay
17h30De Launay é morto, sua cabeça carregada como troféu
NoiteLibertação dos 7 prisioneiros (4 falsificadores, 2 loucos, 1 nobre)
MadrugadaLuís XVI escreve « rien » (nada) em seu diário

Mini-glossário B1

FrancêsPortuguês (BR)
une forteresseuma fortaleza
une garnisonuma guarnição
capitulercapitular, se render
un faussaireum falsificador
un martyrum mártir
le sermento juramento
un pont-levisuma ponte levadiça
un jour fériéum feriado

— Lionel Philippe · também conhecido como « Monsieur Merci Bonjour »

Leitura livre para os Soltos. Alguns artigos são reservados aos Soltos+ — é o que permite que este blog exista. Ver planos →

Revisado por Vincent, nosso serial-corretor · 20 de julho de 2026

#Histoire#Bastille#1789#Révolution française#B1#France
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