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HistoireNível C1
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Sans-culottes, girondinos, montanheses: as palavras de 1793 (C1)

Uma calça, um barrete vermelho, uma geografia de assembleia. Por trás de cada palavra de 1793, uma forma de fazer política que ecoa até hoje.

Assinado por·10 de julho de 2026·~6 min de leitura

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Sans-culottes, girondins, montagnards : les mots de 1793 (C1)
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Este artigo C1 mergulha no vocabulário político da Revolução Francesa : sans-culottes, girondinos, montanheses. Você descobrirá a etimologia dessas palavras, sua carga ideológica inicial e sua sobrevivência — às vezes polêmica — no francês contemporâneo.

Sans-culottes, girondinos, montanheses : as palavras de 1793

Em 1793, a França revolucionária não conhece mais os fidalgos nem os vassalos : ela inventa um vocabulário político novo, áspero, onde cada termo designa um campo, uma ideologia, às vezes um inimigo a abater. Sans-culottes, girondinos, montanheses — essas três palavras atravessam as décadas e ainda assombram nossos debates. Por que um gorro vermelho faz o Antigo Regime tremer ? Por que « jacobino » continua sendo um insulto ou um elogio dependendo de quem pronuncia a palavra ? Eis o léxico político do ano II, explicado para o leitor do século XXI.


Os sans-culottes : o povo de calças

O termo sans-culotte nasce por oposição vestimentária. A culotte — aquela peça curta que para no joelho, usada com meias de seda — é apanágio da aristocracia e da alta burguesia. O homem do povo, ele, usa uma calça comprida, de tecido grosseiro. Dizer de alguém que é « sem culotte » é situá-lo socialmente : artesão, lojista, operário parisiense. Por volta de 1792, a palavra se torna um estandarte político.

Os sans-culottes parisienses encarnam a democracia direta das seções — essas assembleias de bairro onde se vota erguendo a mão, onde se vigiam os eleitos, onde se exige pão e cabeças. Seu emblema vestimentário ? O gorro frígio (ou gorro vermelho), que deveria lembrar o gorro dos escravos libertos em Roma. Sua dança de mobilização ? A carmagnole, roda frenética cantada numa melodia zombeteira. Sua linguagem ? Tuteo generalizado, tratamento formal banido como resquício monárquico.

O sans-culotte ideal vive com parcimônia, recusa o luxo, reclama a taxation (fixação autoritária de preços) e a levée en masse (recrutamento obrigatório para defender a pátria). Ele desconfia dos « graúdos », dos açambarcadores, dos deputados bem-vestidos demais. Ele quer a República una e indivisível — fórmula que se tornará catecismo jacobino.

Evolução semântica : desde 1794, depois de Thermidor, « sans-culotte » vira um insulto retrospectivo, sinônimo de agitador sanguinário. No século XIX, os conservadores o empregam para desacreditar qualquer aspiração popular. Hoje, a palavra volta num uso histórico neutro ou, às vezes, reivindicado pela extrema esquerda como símbolo de radicalidade democrática.


Os girondinos : federalistas esmagados

A palavra girondino vem do departamento de Gironde (Sudoeste). Uns vinte deputados eleitos nessa região — Brissot, Vergniaud, Gensonné — formam na Convenção um grupo moderado, hostil à ditadura parisiense dos sans-culottes. Eles também são chamados de brissotinos (do nome de Jacques-Pierre Brissot) ou, pejorativamente, a Gironde.

Sua ideologia ? Um federalismo prudente : eles desejam que os departamentos conservem autonomia frente a Paris, temem o Terror, defendem a propriedade e o comércio. Eles votam pela morte de Luís XVI, sim, mas com relutância. Desconfiam de Robespierre, de Marat, de Danton. Erro fatal : em junho de 1793, a Convenção, sob pressão dos sans-culottes em armas, manda prender 29 deputados girondinos. Vergniaud, Brissot e seus camaradas são guilhotinados em outubro de 1793.

O termo girondino adquire então uma conotação dupla :

  • Pejorativa (visão montanhesa) : traidor federalista, cúmplice secreto da contrarrevolução, inimigo do povo.
  • Positiva (visão liberal) : mártir da moderação, vítima do Terror jacobino.

Sobrevivência moderna : « girondino » ainda se emprega para designar uma corrente política moderada esmagada pelos extremos. O jornal La Gironde (Bordeaux) carrega esse nome em homenagem aos deputados de 1793. Certos federalistas europeus reivindicam a herança girondina contra o « jacobinismo » centralizador francês.


Os montanheses : jacobinos do Terror

A palavra montanhês (ou a Montanha) designa os deputados que se sentam nas arquibancadas superiores da Convenção — por oposição à Planície (ou o Pântano), deputados centristas instalados mais embaixo. Maximilien Robespierre, Georges Danton, Louis-Antoine de Saint-Just, Jean-Paul Marat : eis a Montanha. Eles dominam o clube dos Jacobinos (instalado na rua Saint-Honoré, no antigo convento dos Jacobinos — dominicanos —, de onde vem o nome).

Os montanheses encarnam a radicalidade revolucionária : República una e indivisível, Terror como instrumento político, centralização absoluta, culto da virtude cívica. Robespierre fala de regeneração moral, Saint-Just teoriza a ditadura de salvação pública. Para eles, a Revolução está ameaçada de todos os lados (aristocratas, federalistas, potências estrangeiras) : só o terror pode salvá-la. Daí a lei dos suspeitos (setembro de 1793), o Tribunal Revolucionário, a guilhotina permanente.

A palavra jacobino, no início simples nome geográfico, torna-se sinônimo de montanhês e depois, por extensão, de todo revolucionário centralizador e dogmático. Napoleão Bonaparte vai se declarar « jacobino » em sua vontade de unificar o Estado ; os republicanos do século XIX erguerão o jacobinismo como herança gloriosa contra os monarquistas.

Polissemia atual :

  • Sentido histórico : membro da Montanha (1793-1794).
  • Sentido político amplo : partidário de um Estado forte, centralizado, hostil aos autonomismos regionais. « A tradição jacobina francesa » = defesa da unidade nacional, laicidade militante, recusa do comunitarismo.
  • Sentido pejorativo : dogmático, sectário, incapaz de nuance. « Ele é muito jacobino em suas posições » = rígido, intolerante.

Os federalistas (catalães, escoceses, flamengos) empregam « jacobino » como insulto contra Paris ou o Estado francês, acusado de esmagar as minorias. Inversamente, certos soberanistas de esquerda reivindicam o jacobinismo como barreira contra o neoliberalismo e a globalização.


Muscadins e termidorianos : a reação de 1794

Depois da queda de Robespierre (9 termidor ano II, ou seja, 27 de julho de 1794), o Terror cessa. Uma juventude dourada, monarquista ou simplesmente antijacobina, ocupa as ruas de Paris : os muscadins. A palavra vem de musc (almíscar), perfume da moda, que esses elegantes usam ostensivamente. Eles se vestem de incroyables (casaca exagerada, gravata desmedida, linguagem preciosa), batem nos antigos sans-culottes, fecham os clubes jacobinos.

Os termidorianos — deputados que organizaram a queda de Robespierre — instauram um regime mais conservador (o Diretório, 1795-1799). « Termidoriano » torna-se sinônimo de reação, de retrocesso após uma fase revolucionária.

Uso moderno : « reação termidoriana » se emprega nas ciências políticas para designar o refluxo após uma revolução. Exemplo : certos analistas falaram de « termidor stalinista » (anos 1930) ou de « termidor castrista » (Cuba pós-1970). A palavra permanece confinada ao registro erudito.


Por que essas palavras continuam vivas ?

Porque a Revolução Francesa inventou o vocabulário da política moderna : esquerda e direita (nascidos no hemiciclo), terror, democracia, cidadão, pátria. « Sans-culotte », « girondino », « montanhês » não são simples etiquetas históricas : eles designam posturas ideológicas ainda ativas.

A clivagem jacobino / federalista ainda estrutura os debates franceses (e europeus). Deve-se reforçar o Estado central ou favorecer as regiões ? A laicidade deve ser intransigente (jacobina) ou acomodativa (girondina) ? Essas questões reencenam, em surdina, o conflito de 1793.

A palavra « sans-culotte » reaparece nos movimentos sociais radicais (Coletes Amarelos, certas franjas do La France insoumise) como símbolo do povo contra as elites. « Montanhês » foi até usado como nome de corrente política : o grupo La Montagne na Assembleia Nacional (1849-1851), certos deputados comunistas nos anos 1950.

« Girondino », por outro lado, continua pejorativo ou irônico. Tratar alguém de girondino é sugerir que ele é frouxo, incapaz de radicalidade, cúmplice objetivo da direita.


Língua e memória política

Essas palavras atravessam os séculos porque condensam afetos, lealdades, ódios. Dizer « jacobino » ou « girondino » é tomar partido sobre 1793, claro, mas também sobre a Europa, a laicidade, o Estado-nação, a própria revolução. O francês político moderno permanece assombrado pelo ano II. Cada eleição, cada crise reaviva os fantasmas da Convenção : sans-culottes contra muscadins, Montanha contra Gironda.

Compreender essas palavras é compreender por que o debate público francês continua tão apaixonado, tão binário, tão propenso ao anátema. A Revolução não terminou : ela ainda fala em nossa língua.


— Vincent · vulgo « Monsieur Merci Bonjour »

Leitura livre para os Soltos. Alguns artigos são reservados aos Soltos+ — é o que permite que este blog exista. Ver planos →

Revisado por Vincent, nosso serial-corretor · 20 de julho de 2026

#Histoire#Révolution française#Vocabulaire politique#Sans-culottes#C1#France#Vincent
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