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HistoireNível B2
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Dez anos que abalaram o mundo: 1789-1799 (B2)

Em 14 de julho de 1789, em Paris, uma multidão enfurecida toma a Bastilha de assalto. Dez anos depois, Napoleão Bonaparte assume o poder.

Assinado por·10 de julho de 2026·≈ 7 min de leitura

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Dix ans qui ont bouleversé le monde : 1789-1799 (B2)
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Dez anos que abalaram o mundo: 1789-1799

Em 14 de julho de 1789, em Paris, uma multidão enfurecida toma a Bastilha de assalto. Dez anos depois, Napoleão Bonaparte assume o poder. Entre essas duas datas: três regimes diferentes, um rei e uma rainha decapitados (Luís XVI e Maria Antonieta), a República, o Terror, guerras em toda a Europa, a abolição da escravidão... e milhões de mortos. Como uma década pode conter tantas rupturas? Vamos mergulhar nos três grandes períodos da Revolução.

Um aviso rápido: este artigo menciona eventos violentos — execuções, guerras civis — que marcaram a História da França.


🏰 Fase 1: A monarquia constitucional (1789-1792)

A crise estoura

Em 1789, o reino da França está em crise. As finanças são catastróficas, as colheitas ruins, o preço do pão dispara. Luís XVI convoca os Estados Gerais — uma assembleia que não se reunia desde 1614 — para arranjar dinheiro. Três ordens se encontram: a nobreza, o clero e o terceiro estado (o povo). Rapidamente, o terceiro estado se rebela: por que votar por ordem, se o povo é o mais numeroso? Em 17 de junho, os deputados se proclamam Assembleia Nacional. O rei cede. Já é uma pequena revolução.

O verão de 1789

Em 14 de julho, a tomada da Bastilha — uma velha fortaleza-prisão que virou símbolo do arbítrio real — eletriza Paris. Na noite de 4 de agosto, a Assembleia abole os privilégios feudais: fim do dízimo (imposto à Igreja), fim dos direitos senhoriais. Em 26 de agosto, ela vota a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão: « Les hommes naissent et demeurent libres et égaux en droits. » O texto irradia por toda a Europa... e apavora as demais monarquias.

O povo em marcha

Em 5 de outubro de 1789, milhares de mulheres — famintas, enfurecidas — marcham sobre Versalhes. Elas exigem pão e trazem o rei de volta a Paris, à força. Luís XVI já não é mais senhor do próprio palácio. Em 1791, a Assembleia finalmente redige uma Constituição que transforma o rei em um monarca constitucional: ele reina, mas não governa mais sozinho. Só que Luís XVI não acredita nisso. Na noite de 20 de junho de 1791, ele tenta fugir para a fronteira. Preso em Varennes, trazido de volta a Paris sob escolta, perde toda a credibilidade.


🔥 Fase 2: A Convenção e o Terror (1792-1794)

A República

Em 1792, a França entra em guerra contra a Áustria e a Prússia. Em Paris, a desconfiança aumenta: será que o rei conspira com o inimigo? Em 10 de agosto, uma insurreição expulsa Luís XVI do palácio das Tulherias. Em 21 de setembro de 1792, a Convenção — nova assembleia eleita por sufrágio universal masculino — proclama a República. Agora estamos no ano I. Luís XVI, virado « Louis Capet », vai a julgamento. Em 21 de janeiro de 1793, é guilhotinado na praça da Revolução (atual praça da Concórdia). Maria Antonieta o segue em outubro.

O Comitê de Salvação Pública e Robespierre

A guerra se intensifica, a Vendeia (oeste da França) se insurge, a economia desmorona. Em abril de 1793, a Convenção cria o Comitê de Salvação Pública, um governo de crise. Maximilien de Robespierre se torna sua figura central. Ele encarna a ala radical: os Montanheses (« a Montanha »), que ocupam as arquibancadas mais altas da Assembleia. O programa deles: defender a Revolução por todos os meios, inclusive a violência.

O Terror

De setembro de 1793 a julho de 1794, é o Terror: tribunais revolucionários sumários, guilhotina em série, vigilância onipresente. Os « suspeitos » — nobres, padres, supostos inimigos da República — são presos aos milhares. Estima-se entre 16 mil e 40 mil execuções legais, e centenas de milhares de mortos nas guerras civis. O clima é sufocante: uma frase ambígua pode te levar direto ao cadafalso.

A abolição da escravidão

Nesse caos, uma votação passa quase despercebida: em 4 de fevereiro de 1794 (16 de pluviôse do ano II no calendário revolucionário), a Convenção vota a abolição da escravidão em todas as colônias francesas. É uma primeira mundial para uma potência colonial. Infelizmente, a lei só será aplicada parcialmente, e Napoleão a restabelecerá em 1802. Mas o gesto é histórico.

A queda de Robespierre

A engrenagem dispara. Até revolucionários moderados vão para a guilhotina (Danton, Desmoulins). Em 9 de termidor do ano II (27 de julho de 1794), a Convenção se volta contra Robespierre. Preso, ele é guilhotinado no dia seguinte com seus aliados. O Terror termina. Todo mundo respira... um pouco.


🎶 « Ah, ça ira, ça ira, ça ira »

Canção revolucionária, 1790 — domínio público. Na melodia do Carillon national, contradança de Bécourt. As duas estrofes abaixo mostram a mutação da canção: primeiro confiante e profética em 1790, ela se torna ameaçadora a partir de 1793 sob a pena dos sans-culottes.

Estrofe 1 — 1790, versão original (moderada):

Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Le peuple en ce jour sans cesse répète,
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Malgré les mutins tout réussira.
Nos ennemis confus en restent là
Et nous allons chanter alléluia !

Refrão sans-culotte — 1793 (radicalizado):

Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Les aristocrates à la lanterne !
Ah ! ça ira, ça ira, ça ira,
Les aristocrates on les pendra !
Si on n’les pend pas, on les rompra,
Si on n’les rompt pas, on les brûlera.

A passagem de uma estrofe para a outra conta, sozinha, três anos de Revolução: do entusiasmo constituinte de 1790 ao Terror montanhês de 1793.

📉 Fase 3: O Diretório (1795-1799)

Uma República instável

Depois do termidor, a Convenção redige uma nova Constituição. Em outubro de 1795, o Diretório entra em funcionamento: cinco diretores dividem o poder executivo. A ideia: evitar que um único homem monopolize a autoridade. Mas o que se instala é o reinado da instabilidade: golpes de Estado sucessivos, corrupção, inflação, revoltas realistas, conspirações jacobinas. Ninguém controla realmente o país.

Bonaparte ascende

Um jovem general corso, Napoleão Bonaparte, se destaca na Itália (1796-1797) e no Egito (1798-1799). Ele conquista vitórias retumbantes e constrói sua própria lenda. Em 1799, o Diretório está à beira do colapso. Em 9 de novembro de 1799 (18 de brumário do ano VIII), Bonaparte derruba o regime com a ajuda de cúmplices (entre eles seu irmão Lucien). Ele se torna Primeiro Cônsul, depois cônsul vitalício, e enfim imperador em 1804. A Revolução acabou. O Império começa.


📅 Cronologia sintética

DataEvento
5 de maio de 1789Abertura dos Estados Gerais
14 de julho de 1789Tomada da Bastilha
4 de agosto de 1789Abolição dos privilégios feudais
26 de agosto de 1789Declaração dos Direitos do Homem
5-6 de outubro de 1789Marcha das mulheres sobre Versalhes
20-21 de junho de 1791Fuga do rei, preso em Varennes
21 de setembro de 1792Proclamação da República
21 de janeiro de 1793Execução de Luís XVI
4 de fevereiro de 1794Abolição da escravidão (lei de pluviôse)
27 de julho de 1794Queda de Robespierre (9 de termidor do ano II)
26 de outubro de 1795Início do Diretório
9 de novembro de 1799Golpe de Estado de Bonaparte (18 de brumário do ano VIII)

🔍 Por que essa década ainda importa?

Porque a Revolução transformou o imaginário político do planeta. Ela levantou questões que ainda atravessam nossas sociedades: o que é a soberania popular? É possível derrubar um poder injusto? Como evitar que a revolução devore os próprios filhos? As palavras que usamos hoje — « cidadania », « direitos humanos », « laicidade », « república » — vêm em parte dali.

A Revolução também mostrou que um mundo antigo pode desmoronar em poucas semanas, que uma sociedade pode se reinventar por completo... mas ao preço de violências terríveis. A herança é dupla: luzes e sombras, esperança e tragédia.


💬 Mini-léxico B2 (FR → PT-BR)

FrancêsPortuguês (Brasil)
bouleversertransformar radicalmente, abalar
la décenniea década
l'échafaud (masc.)o cadafalso, a guilhotina
la guillotinea guilhotina
le tiers étato terceiro estado
la dîmeo dízimo (imposto à Igreja)
la Terreuro Terror (período histórico)
le coup d'Étato golpe de Estado
l'abolition (fém.)a abolição
l'héritage (masc.)a herança, o legado

— Lionel Philippe · alias « Monsieur Merci Bonjour »

Leitura livre para os Soltos. Alguns artigos são reservados aos Soltos+ — é o que permite que este blog exista. Ver planos →

Revisado por Vincent, nosso serial-corretor · 20 de julho de 2026

#Histoire#Révolution française#1789#Terreur#Robespierre#B2#France
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